quinta-feira, 5 de maio de 2016

Enlouquecendo Denny - Capitulo 28



CAPITULO 28



Letty


O barulho no andar de baixo foi o que me acordou. A principio eu me assustei, mas então me lembrei que ontem, pouco antes de dormimos, Mara ligou para Denny avisando que ela viria aqui pela manhã trazer mantimentos, uma vez que os armários e a geladeira estavam vazios. Me levantei devagar para não acordar Denny, fiz minha higiene matinal e sai do quarto.
O apartamento era lindo e muito sofisticado. A decoração era bem masculina, mas Ethan me garantiu que eu poderia mudar o que quisesse, colocar o espaço com a cara minha e de Denny, porque aqui agora era nosso lar.
O apartamento era um duplex de dois andares. O andar de cima tinha dois quartos e um pequeno escritório, aberto, que era basicamente uma mesa e uma cadeira de escritório e várias prateleiras. Um dos quartos tinha sido de Enzo e ainda tinha uma decoração de bebê que eu pretendia mudar para um quarto de hóspedes assim eu poderia receber minha mãe, nos dias que meu pai estivesse de plantão, ou Jessie, sempre que ela quisesse vir me visitar. Eu tinha até que ligar para ela, já tinha um tempo que não conversávamos.
O andar de baixo tinha uma sala espaçosa com dois sofás grandes e muito confortáveis e uma cozinha bem equipada.
Foi lá que encontrei Mara e muitas sacolas papel cheias em cima da mesa.
– Oh, bom dia querida. – ela me lançou um sorriso – Acordei você?
– Não, eu já ia me levantar para preparar o café.
– Aqui – ela encheu uma caneca na cafeteira e me entregou – tomei a liberdade de preparar para vocês.
– Obrigada.
– Como você está? Ontem não deve ter sido fácil.
– Foi assustador, mas já estou bem, eu me sinto segura com todos vocês.
– Que bom. – ela sorriu novamente – Eu fiz o supermercado para vocês, espero que não se importe, se faltar algo ou se você gostar de algo diferente não se acanhe em dizer.
– Está tudo perfeito e eu te agradeço, não teria cabeça para pensar nisso hoje.
Meu celular apitou recebimento de mensagem e eu o alcancei na mesa de centro na sala. Era Scott avisando que a entrevista com a RockStar era hoje no fim da tarde, mas que poderíamos mudar a data caso eu não estivesse preparada. Respondi confirmando que iria, não ia bagunçar minha vida por causa do que aconteceu, eu superaria tudo isso.
– Parece que tenho um compromisso hoje. – falei com Mara voltando a me sentar no balcão – Ainda nem acredito que a maior revista do rock quer me entrevistar.
– Eu me lembro da primeira entrevista dos meninos, fiquei tão orgulhosa. Você devia contar para a sua mãe.
– Boa ideia, eu vou ligar para ela.
– Faça isso, eu vou terminar de arrumar aqui e preparar um café para vocês.
Agradeci e fui até a sala. Olhei as horas antes de ligar para minha mãe e vi que Denny e eu tínhamos dormido muito. Disquei o número do celular da minha mãe e esperei ela atender.
– Bom dia filha.
– Oi mãe. Como você está?
– Bem, e você?
– Agora melhor. – suspirei – Eu passei por uma situação complicada ontem.
– O que foi?
– Sabe a mãe de Denny?
– Mara?
– Não, Holly. O namorado dela tentou me atacar, mas eu consegui bater nele e corri, por sorte Denny estava voltando para casa na hora e me socorreu.
– Scarlett volte para casa agora mesmo.
– Mãe, calma.
– Calma? Como vou me acalmar depois de saber que minha filha foi atacada em sua própria casa? E se ele tentar novamente? E se essa Holly fizer algo com você meu amor?
– Nós saímos da casa dela – expliquei – Ethan tinha um apartamento desocupado e nos deu ele. Denny e eu estamos longe de Holly e do namorado dela.
– Eu quero conversar com Denny, quero saber o quão protegida você está.
– A segurança do prédio é excelente, Denny não me deixa sozinha nem por um segundo e Scott está contratando um segurança para mim, é suficiente isso? – sorri do desespero dela.
– Tudo bem, mas se você se sentir ameaçada, volte para casa.
– Não posso voltar como se eu tivesse saído dai por vontade própria, mãe. Papai não me quer ai.
– Com seu pai eu me entendo.
– As coisas estão bem como estão, mãe. A polícia já está atrás do cara que me atacou e eu me sinto segura. E não foi só para isso que te liguei. Na verdade eu nem ia te contar isso, mas como Jessie saberá e vai contar para a senhora, eu decidi fazer isso de uma vez.
– Você não ouse esconder as coisas de mim garota. – eu ri – O que você ia me contar?
– Eu vou dar a minha primeira entrevista profissional.
– Oh meu Deus isso é maravilhoso!
– Sim é, e vai ser para a maior revista de rock… eu estou tão empolgada e nervosa e ansiosa…
– Se acalme, respire, vai dar tudo certo. Seja você mesma e todos vão te amar, filha.
– Obrigada mãe, mas vindo de você não vale, a senhora é suspeita para falar.
– Mas eu falo assim mesmo. – eu ouvi barulhos do outro lado da linha e a voz do meu pai chamando minha mãe – Seu pai chegou.
– Dê um beijo nele por mim? Mesmo que ele não saiba que fui eu que mandei.
– Eu farei. Fique com Deus, meu amor.
– Ficarei. Eu te amo, mãe.
– Também te amo meu bebê.
Desliguei o telefone e me levantei. Denny estava escorado no corrimão da escada, os braços cruzados evidenciando os bíceps fortes.
– Bom dia. – ele falou com a voz rouca e o sorriso de lado.
– Bom dia. – me aproximei e fiquei na ponta dos pés para beijá-lo – Já passa das dez e nós temos compromisso hoje às cinco da tarde.
– A entrevista com a RockStar. – ele falou me abraçando pela cintura – Quer mesmo ir hoje? Podemos remarcar.
– Não precisa, eu estou bem.
– Ótimo. O que você quer fazer até as cinco?
– Compras.
– Compras?
– Sim, eu gosto de fazer compras quando preciso me distrair e eu queria passar um tempo com Jessie, não nos vemos desde antes da viagem. E falta comprar alguns presentes de Natal.
– Okay, vamos fazer assim, você liga para Jessie e marca com ela, eu vou marcar com Chris e Louise, quero comprar algo para Julian.
– Vou mandar uma mensagem para Jessie. – voltei no sofá e peguei meu celular – Sua mãe está na cozinha.
– Estava, ela acabou de sair, pediu para eu te dar um beijo e quer que almocemos na casa dela essa semana.
– É só dizer o dia, – sorri – você nunca vai me ver reclamar de ter que comer a comida da sua mãe.
– Eu vou te ver reclamar de ter que comer algum dia? – ele brincou – Você é a maior comilona que eu já vi. E eu amo isso.
– Quero ver você amar quando eu for da largura de um elefante.
– Você não engorda baby. – ele me abraçou por trás – Vai ser sempre essa coisa linda, quente e sexy que me deixa maluco. Agora vamos tomar café.

oOo

– Eu estava com saudades, vadia! – Jessie falou me abraçando – E estou morrendo de inveja desse seu bronzeado “acabei de chegar da Grécia”. Sério que ele te levou para uma ilha deserta?
– Uma praia particular. – falei e ela revirou os olhos – lá é incrível!
– Eu imagino, quero ver as fotos. – ela passou o braço no meu pescoço – E então, suas pernas ainda funcionam bem ou Denny te incapacitou por um bom tempo?
– Jessie!
– Hey, eu sou sua amiga, te contei sobre como eram na cama todos os caras com quem fiquei, é sua vez, gata. Conte-me tudo!
– E eu vou te fazer propaganda do meu homem? Tá maluca?
– Olha para a minha cara Scarlett, Denny é lindo, mas o fato de ele ser seu somado àquele cabelo comprido, fazem dele uma mulher para mim. E uma mulher feia, que nem meu lado lésbico pegaria. Não que eu tenha um lado lésbico. – nós rimos – Só me diz se você está feliz, se o sexo é o que você imaginava.
– É muito mais. – sorri – Ainda bem que Dilan nunca aceitou fazer quando eu pedia… a ideia de que Denny foi meu primeiro e vai ser o único faz tudo ser ainda mais perfeito.
– Mas ele não tem nem um defeitinho? Tipo gozar rápido demais, fazer algum barulho estranho, uma expressão meio assustadora quando goza, nada?
– Não. Nada. Ele é perfeito. Um verdadeiro príncipe do rock.
– Uhh sexy. – ela riu – Então o que viemos comprar?
– Qualquer coisa. Eu só preciso me distrair do que houve ontem.
– Relaxa. – ela sorriu – Você está segura agora, com esse segurança gato te seguindo aonde quer que você vá… cara eu preciso de um desses para me proteger no meu quarto à noite.
– Jessie, Barton tem namorada, que por acaso é minha amiga e eu pretendo te apresentar a ela em breve, então o veja como uma mulher feia, okay?
– Sério isso? Você está rodeada por Ethan Lancaster, que tem uma bunda de arrasar, mas é casado e você é amiga da esposa dele. Scott Ghalard te trata como a princesinha dele, mas é casado também, Nick é solteiro, mas parece mais um monge. Denny é seu, é uma mulher feia para mim. O seu segurança parece um deus nórdico, mas tem namorada que é sua amiga, e não sou eu… tem alguém lindo e solteiro à sua volta que pode ser meu? – eu ri.
– Primeiro, Nick não é um monge, ele só é recluso e tem Miles…
– O outro empresário? O que você disse que tem uma queda pela maluca que arrasou com você? Não obrigada. Hey o que você acha desse vestido? – ela descaradamente mudou de assunto, mas eu a perdoaria porque o vestido era realmente muito lindo.
– Depende, é para você ou para mim?
– E tem diferença?
– Claro, se for para mim é lindo, para você ele é horroroso, vai ficar melhor em mim.
– Você virou uma estrela, mas continua uma vaca. – ela riu e me puxou para dentro da loja – Cadê Denny?
– Esperando o amigo dele, vai nos encontrar daqui a pouco.
– Hmm, vamos experimentar o vestido, e não seja vaca, ele vai ficar lindo em mim, mas quem vai comprar é você, vou só pegar emprestado depois.
Ela chamou por uma vendedora e jogou nossas bolsas para Barton, que apenas riu, lancei um olhar de desculpas para ele, ainda bem que Barton era bem humorado e não interpretava mal as loucuras de Jessie.
Ela agarrou o vestido e me arrastou para o trocador.
– Você ficou gata. – ela sorriu olhando, através do espelho, o vestido no meu corpo – Ficou perfeito. Hey o que você acha de fazer umas mechas coloridas?
– No meu cabelo? Não mesmo.
– Por que não? Ia ficar legal… você é uma roqueira agora.
– E eu posso ser roqueira sem ter meu cabelo pintado.
– Não é o cabelo todo… são algumas mechas apenas. – ela revirou os olhos – Vamos ver mais roupas.
Ela me levou para fora do provador e deixou o vestido com a vendedora com o aviso que iamos ficar com ele. Eu estava entretida olhando as araras de roupas quando senti dois braços rodeando minha cintura.
– Oi minha menina. – Denny sussurrou rouco no meu ouvido.
– Oi grandão. – me virei de frente para ele e fiquei na ponta dos pés para beijá-lo.
– Oi Jessie.
– Oi. – ela só acenou e continuou mexendo nas roupas.
– Ela é maluca. – brinquei e recebi em troca uma camisa jogada na minha cara.
– Maluca é sua vó. – ela jogou de volta.
– Vocês demoram aqui?
– Não – falei ao mesmo tempo que Jessie disse sim – Não vamos demorar aqui, porque ainda temos que ir em outras lojas, inclusive uma de sapatos. Por que?
– Vamos almoçar. Chris está esperando Louise que levou Julian para comprar um tênis.
– O que você deu a ele? Aposto que foi uma bateria.
– Não, a bateria eu dei quando ele fez dois anos. Ele quis um helicóptero de controle remoto. Izzy quer me matar por isso.
– Eu não quero pensar quando forem nossos filhos… difícil imaginar quem vai ser mais criança, você ou eles.
– Denny com toda certeza. – Jessie parou na nossa frente – Eu achei uma saia rodada xadrez! – ela balançou a peça na minha frente.
– Oh meu Deus! – puxei a peça da mão dela – É igual à da Avril!
– Sim!!! – ela começou a pular na minha frente – Vem, vamos experimentar, Denny você senta lá com o segurança gato e espera.
Ela empurrou Denny na direção de Barton e nós corremos de volta para o provador.
Eu experimentei a saia, calças, blusas, vestidos… em um ponto do nosso passeio pelo shopping, o celular de Jessie apitou recebimento de mensagem e depois disso ela ficou séria e fechada.
Eu a arrastei para uma loja de lingeries, escolhi algumas peças e a levei comigo para o provador, eu não ia experimentar nenhum, sabia de olhar que todos me serviam, mas eu precisava estar só com ela para conversarmos.
– Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não é? – falei deixando as peças de lado e me sentando com ela num banco que tinha ali.
– Não é nada. – ela sorriu – Não vai experimentar?
– Não, quero conversar com você, saber o que está acontecendo.
– Meus pais estão se divorciando. – ela suspirou e botou os cabelos loiros atrás da orelha – O que não é algo ruim, porque desde os doze anos que eu sei bem que eles iam acabar nisso, só adiavam por minha causa.
– Qual o problema então?
– Eu tenho um irmão. – ela falou de uma vez – Ele tem nove anos.
– Irmão? Como assim irmão?
– Meu pai tem outro filho, fora do casamento. E ele esconde isso de nós há nove anos.
– Uau. – eu não sabia o que dizer.
– Ele simplesmente chegou em casa e despejou isso, minha mãe não aguentou e pediu o divórcio, parece que eu já sou grandinha o suficiente para entender quando um casal não dá mais certo junto.
– E você está bem com isso?
– Com a separação? – assenti – Sim, mas com eles me fazendo de pombo correio, de bote salva vidas, desculpa para mais discussões, não. Eu to de saco cheio… preciso arrumar um emprego e cair fora daquela casa. Quero viver minha vida, sem ter meu pai culpando a minha mãe por uma tatuagem que eu fiz, ou minha mãe culpando meu pai por que eu não quero fazer faculdade… eu cansei.
– Droga Jessie – eu a puxei para um abraço – Eu aqui vivendo um momento perfeito e ignorando completamente que você pode ter problemas também. Que grande amiga estou sendo.
– Não, não Letty, não faz isso. – ela passou os braços em volta da minha cintura e apoiou a cabeça no meu ombro – Você é a melhor, sempre foi, sempre será. Eu é que não devia estar aqui estragando seu momento perfeito com meus problemas.
– Hey, você é minha irmã do peito. Somos siamesas, lembra? Você pula eu pulo. – brinquei com uma fala do filme Titanic que sempre usávamos como lema – Nunca deixe de desabafar comigo com medo de estragar qualquer coisa. Vai estragar se eu descobri que você está enfrentando barras sozinha. Quer passar um tempo lá em casa?
– Segurando vela? Ouvindo você e Denny no quarto ao lado? Eu te amo amiga, mas não é tanto assim.
– Idiota. – eu ri – Eu te ajudo a alugar um apê então.
– Não. Eu não quero seu dinheiro, Letty, vou encontrar algo para fazer da minha vida.
– Okay, mas enquanto isso, você vai ter que aceitar meus presentes. – pisquei falando das sacolas com as coisas que tinha comprado para ela – E vai aceitar um convite.
– Qual, dispenso menagè a trois.
– Não é isso, louca. Vem comigo para a entrevista com a RockStar?
– Me interne se eu disser não! – ela pulou de pé – Vai levar esses?
– O que tem de errado com eles? – franzi a testa olhando para as lingeries que eu escolhi.
– Tem que elas foram feitas para freiras, não para a namorada de Denny Hudson. Letty, seu homem já esteve com todo tipo de mulher, você tem que superá-las.
– E o que você sugere, óh maga das peças intimas.
– Vem comigo. – ela pegou as peças e saiu do provador – Toma – ela colocou tudo na mão da vendedora – Vou salvar minha amiga do trivial, nós queremos algo “pode vir quente que eu estou fervendo”.
A vendedora riu e nos levou para uma sessão reservada da loja. Escolhemos várias peças e nos encontramos com Denny assim que saímos da loja.
– Acabaram? – ele perguntou me abraçando.
– Sim. – sorri – Estou faminta.
– Vamos. – ele manteve o braço na minha cintura e o outro passou pelos ombros de Jessie – Você parece triste hoje garota, o que foi?
– Estou decepcionada. – ela suspirou dramaticamente – Todos os amigos gatos e quentes de Letty são comprometidos. Isso é cruel e injusto.
Denny riu alto, entramos num restaurante, de longe eu vi Chris e toda aquela cabeleira “a la” rei leão.
– Pelo amor de Deus me digam que vocês conhecem aquela deus nórdico que está sorrindo para nós. – Jessie falou num sussurro.
– É meu melhor amigo. – Denny explicou – E aquela vindo da direção do banheiro com aquele garotinho é a esposa dele.
– Ah qual é! – ela bufou – Vocês são os piores melhores amigos famosos que uma garota solteira pode ter.
– Se eu te apresentar para Justin Timberlake vou te deixar mais feliz? – perguntei brincando.
– Você pode fazer isso? – os olhos de Jessie se arregalaram.
– Não porque eu não vou deixar minha garota perto daquele sujeito. – Denny fechou a cara.
– Tá com medo Hudson? – Jessie riu – Acha que Letty pode te trocar pelo gato, sexy, quente e que sabe dançar?
– Eu confio no meu taco, Jessamine.
– Cara, aprende uma, se você quer ser meu amigo, nunca, nunquinha na sua vida me chame disso novamente. – ela cerrou os olhos para Denny.
– Preciso esperar vocês aqui, ou posso ir para o carro?– Barton perguntou chamando nossa atenção.
– Não mesmo. Você vai se sentar ali e me fazer companhia. – Jessie se soltou de Denny e passou o braço no de Barton – Eu sei que você tem namorada, não precisa me olhar como se fosse um dálmata olhando para a Cruella, só não quero segurar vela sozinha.
– Ouve a garota Barton, venha almoçar conosco. – Denny nos puxou para a mesa onde Chris estava.
– Vocês demoraram, nós tivemos que pedir por causa de Julian.
– Tudo bem. – me sentei depois de cumprimentar ele e Izzy – Essa é Jessie, minha melhor amiga.
– Olá. – Izzy sorriu para Jessie que sorriu de volta.
Nós almoçamos em meio a uma conversa agradável com direito a algumas pérolas de Julian. Ele era muito fofo e eu ficava imaginando o quanto aprontaria junto de Enzo.
– Acho que é hora de ir. – Izzy falou muito depois que sentamos – Esse pequeno está caindo de sono e eu também. – ela sorriu se jeito.
– É normal, querida – Chris beijou o ombro dela – Vai ser assim por um bom tempo.
Ele naturalmente colocou a mão na barriga dela.
– Vocês vão ter outro bebê! – falei mais alto que queria. Os dois sorriram como se fosse manhã de natal.
– Filho da mãe, quando é que você ia me contar? – Denny jogou o guardanapo em Chris.
– Eu estou contando. – Chris se defendeu.
– Eu estou tão feliz por vocês! – me levantei e dei a volta na mesa, para abraçar Izzy – É uma menina dessa vez, certo? Eu preciso de uma outra sobrinha fofa para mimar, Ella só quer saber do tio Denny.
– Ainda não sabemos o sexo. – ela explicou – Estou ansiosa, seja o que for, eu estou feliz, mas Chris quer uma menina.
– Antes que Denny resolva encomendar os seus e tenha uma princesinha antes de mim.
– Ah pode ficar tranquilo quanto a isso – eu voltei a me sentar – Denny e eu temos muitas aventuras para viver antes de ter um filho, não é grandão.
– Com toda certeza. – ele se inclinou e me deu um selinho. Jesse bufou e revirou os olhos.
– No pé que esses dois andam não demora e a casa está cheia de pirralhos.
– Você está mau humorada, Jessamine – Denny brincou – Você precisa de uma companhia masculina, vamos sair logo que e vou te apresentar a alguns amigos meus.
Ele chamou o garçom e pagou a conta, nós saímos do restaurante com Denny ajudando Barton a carregar as sacolas de compras.
– Vamos para entrevista – falei passando meu braço pelo de Jess – Vamos nos divertir e você vai esquecer o que está te aborrecendo.
Ela sorriu e encostou a cabeça no meu ombro.
– Você é a melhor irmã postiça do mundo.
– Eu sei disso.


Denny


– Distraia Jessie. – Scar pediu assim que entramos no estúdio de gravação do Fifty. Tínhamos passado aqui antes, para seguir para sede da revista com Scott e Karina.
– Por que?
– Eu tenho que falar com Scott e ela não pode ouvir.
– Vou pedir Nick para fazer um tour com ela pelo estúdio e te encontro no escritório.
– Okay. – ela saiu e eu fui atrás do meu irmão, que já estava conversando com Jessie.
– Você faz companhia para ela enquanto eu vou buscar Scar? – perguntei e Nick assentiu – Leve-a para conhecer a sala acústica, ela vai gostar.
Dei as costas para os dois e corri para o escritório.
– Não importa o porquê, você está com dor de cabeça e não consegue ir à entrevista. – Scar estava falando com Karina – Não me odeie, por favor, mas você vai me ajudar muito se fizer isso por mim.
– Okay. – Karina riu – Vou confiar em você, de qualquer forma, ganhei mais um dia de folga.
– O que você está aprontando? – perguntei à Scar, mas ela se virou para Scott.
– Eu vou ser um pouco chata hoje, mas é por uma causa maior.
– Não estou entendendo.
– Minha amiga precisa sair de casa e para isso ela precisa de um emprego. Ela não quer minha ajuda, então vou ter que mexer meus pauzinhos.
– Explique.
– Karina vai fingir que está com dor de cabeça, eu não vou aceitar que a maquiadora da revista me arrume, Jessie estará lá e vai fazer isso por mim. Você vai gostar do trabalho dela e vai contratá-la como minha personal stylist, ela é boa, não precisa ter medo de contratar uma tapada para o serviço. Eu vou pagar o salário dela, você pode descontar do meu cachê só não a deixe saber disso. No fim, eu vou contratá-la, mas você será meu laranja.
– Okay. – Scott riu – Você tem uma mente e tanto. Eu já estava prestes a contratar mais alguém porque arrumar você para os shows vai dar mais trabalho para Karina, ela já lida com os rapazes… então tudo bem, se sua amiga for realmente boa, eu a contrato e você não precisa tirar o pagamento do seu cachê.
– Jura?
– Se ela for boa. Caso não seja boa nisso, eu te ajudou a encontrar algo onde ela se encaixe.
– Obrigada! – Scar pulou para frente e o abraçou.
Eu não sabia lidar com isso. Scott não era nenhuma ameaça para mim, ninguém era na verdade, confio cegamente no amor de Scar e na fidelidade dela, mas eu simplesmente não sabia lidar com a ideia dela se abraçando a outros homens.
– Não acredito que você tem ciúmes de Scott. – ela riu.
– Eu vou ter ciúmes de ver você perto de outro homem sempre, não importa quem ele seja.
– Você terá que superar isso se um dia tivermos um garoto.
– Com nosso filho, eu divido você. – sorri e a abracei – Agora vamos mesmo, ou nos atrasaremos muito.

ooOoo

Dava para sentir o nervosismo de Scar quando chegamos ao lugar onde seria a entrevista, era um galpão pequeno que parecia uma garagem de residência, em tamanho maior.
– Olá. – a repórter, nos recebeu com um sorriso enorme – Eu sou Janet Manson, é um prazer enorme conhecer você.
– O prazer é meu. – Scar sorriu.
– Bom, nós preparamos um camarim para você se arrumar, estamos todos prontos para quando você quiser começar. Temos uma maquiadora te aguardando.
– Er… se não for incomodar eu gostaria de usar a minha maquiadora.
– Ah, claro, claro, sem problemas. Fiquem a vontade, o camarim é ali.
Fomos todos para o lugar indicado e mal passamos pela porta, Scar se virou para Scott.
– Onde está Karina? – ela perguntou com a cara mais inocente, como se não tivesse sido ela quem mandou Karina não vir.
– Enxaqueca, não veio. – Scott falou naturalmente.
– Como assim? E eu?
– Você vai ter que lidar com a maquiadora da revista.
– Mas ela é uma estranha e eu não vou deixar estranhos mexerem no meu cabelo.
– Vai ter que aceitar isso hoje, não podemos cancelar a entrevista.
– Okay, Jessie você vai ser minha maquiadora hoje. – ela puxou Jessie pela mão e se sentou na cadeira de frente para o espelho.
– Eu? Por que se tem uma profissional ali fora?
– Eu já disse, ela é uma estranha. Anda Jessie, me arrume.
– Você dá conta? – Scott perguntou a Jessie.
– Sim, mas eu não tenho nada comigo… nem mesmo um batom.
– Sem problemas. – Scott saiu e voltou minutos depois com a maleta de Karina – Karina não tirou do carro. Ele abriu a maleta em cima da penteadeira – Vocês tem vinte minutos.
Scott saiu e Jessie começou a fuçar as coisas, eu me sentei numa outra cadeira que tinha ali e fiquei assistindo as duas.
Jessie começou a rir alguns minutos depois.
– O que foi sua louca? – Scar a olhou pelo espelho.
– Você é tão descarada, Scarlett Myfair.
– Eu? O que eu fiz?
– Há quanto tempo somos amigas?
– Desde o berço, por que?
– Você acha mesmo que eu não ia reconhecer quando você está atuando? Nós fizemos teatro juntas no colegial e o talento que você tem para cantar morre quando se trata de atuar. Você é péssima.
– Ainda não entendi.
– Você armou isso. – Jessie riu – Armou com Scott e com você – ela virou para mim – e com Karina para isso aqui acontecer.
– Okay amiga, você comeu algo estragado hoje. – Scar tentou fingir que Jessie não tinha acertado na mosca.
– Obrigada. – Jessie abraçou Scar, as duas se olharam pelo espelho – De verdade, obrigada. Seja lá o que você combinou com Scott eu fico agradecida em saber que você quis cuidar de mim.
– Você é minha irmã de coração, é minha obrigação cuidar de você.
– Eu vou te deixar linda.
– Mais? – falei atraindo a atenção para mim.
– Denny cai fora, Scar vai se trocar.
– E o que ela vai mostrar que eu já não vi? – brinquei.
– Espera lá fora grandão, nenhum de nós quer você tentando me agarrar na frente da minha melhor amiga.
– Urgh, eca, não quero presenciar o cio de vocês dois. – Jessie foi na direção da arara e escolheu algumas peças de roupa.
– Okay, sou voto vencido eu já vou. – me levantei e dei um selinho em Scar antes de sair do camarim.
– Elas já vêm? – Scott perguntou assim que me viu.
– Sim, Scar está se vestindo.
– Ótimo, a entrevista vai ser rápida, mas as fotos podem demorar um pouco.
– Okay.
Fiquei ali dando uma olhada em volta enquanto esperava Scar, ela saiu do camarim linda como sempre e foi direto para onde a repórter indicou.
Eu me posicionei perto dela, onde Scott também estava.
– Então Scarlett, vamos começar com algumas perguntas da nossa redação, e no final vou te fazer algumas perguntas dos fãs da FNBR, que pedimos no site da revista.
– Certo.
– Vamos começar pelo básico, quando foi que a música entrou na sua vida?
– Quando eu nasci. – Scar riu – Meu avô tocava violino, eu cresci ouvindo ele tocar e esse instrumento acabou virando uma paixão na minha vida. Meu pai me colocou em aulas, eu busquei me aperfeiçoar, acabei aprendendo violão e piano depois. A guitarra veio há pouco tempo, quando eu me apaixonei pelo rock.
– E o que o seu avô sente vendo você se tornar essa estrela em ascensão?
– Infelizmente eu não sei te responder. – o semblante da minha menina ficou triste – Meu avô morreu há alguns anos.
– Oh, sinto muito. – a repórter sorriu sem jeito.
– Tenho certeza que ele se orgulha de onde estiver. – Scott falou ganhando um sorriso de agradecimento de Scar.
– Vamos seguir.
As perguntas seguiram, algumas fazendo Scar rir, outras deixando-a com as bochechas vermelhas.
– Bom… essa pergunta é de uma fã de Sacramento. Ela diz que assistiu ao ultimo show da banda na cidade e viu você no palco com Denny Hudson. “Vocês têm uma química incrível” ela disse. A pergunta dela é, tem um relacionamento rolando ai?
Scar ficou ainda mais vermelha e olhou na minha direção.
– Denny é minha alma gêmea. – ela falou – Eu me sinto completa com ele, me sinto segura, protegida e feliz. Sim tem um relacionamento entre nós. Nos amamos.
– Ela é minha Scarlett O'Hara. – interrompi – A mulher da minha vida.
– Uau, isso foi intenso. Como você conseguiu amarrar o homem mais cobiçado do momento?
– Não sei. Aconteceu. – Scar riu.
– Bom, ultima pergunta. Veio de um fã de Nova Iorque. Você faria um ensaio sensual?
– O que? Não! – eu respondi.
– Denny, a entrevista é com Letty. – Scott me puxou para trás.
– E minha resposta é não. – Scar foi enfática – Eu estou aqui sentada pensando nas fotos básicas que terei que tirar para a revista, morrendo de vergonha de ficar na frente da câmera, então não. De forma alguma eu posaria nua ou de roupa íntima.
– Okay, isso finaliza nossa entrevista. Você agora vai tirar algumas fotos com o nosso fotógrafo, Chase. Pode ficar tranquila e a vontade, tente se soltar o máximo possível que as fotos ficaram lindas.
– Vou dar o meu melhor. – elas se cumprimentaram e Scar seguiu com o fotógrafo, eu claro fui junto porque não deixaria a minha menina sozinha com aquele marmanjo.
Ela seguiu as orientações dele, parando algumas vezes para trocar de roupa. Mas em um ponto da sessão eu comecei a me incomodar com as mãos dele que insistiam em tocar a minha garota.
– Hey, você é fotografo ou massagista? Tire as mãos da minha garota e as coloque na sua câmera.
– Denny. – Scott reclamou.
– Denny uma merda, ele está tirando uma casquinha da minha garota.
– Eu vou te expulsar. – ele reclamou de novo – Fique quieto.
– Okay, pare aqui e olhe então. – puxei ele para o meu lado, Jessie apareceu e ficou ali também, observando a cena.
– Esse cara está fingindo que só quer consertar a posição de Letty e está descaradamente paquerando ela.
– Eu vou quebrar a cara dele.
– Não vai não. – Scott me segurou e foi para frente – Acho que já deu não é amigão? Tem foto suficiente ai.
– Claro, claro – ele se afastou – Obrigado Letty.
– Por nada. – Scar veio na minha direção e jogou os braços no meu pescoço – Desfaz esse bico e me beija grandão.
Ela puxou meu rosto para baixo e me deu um beijo longo o suficiente para eu começar a me animar.
– Aperta a bunda dela, agora. – Jessie sussurrou – Anda o cara tá olhando para vocês, aperta agora, Denny.
Eu fiz como ela disse e ouvi a risada dela e de Scott. Me afastei de Scar antes que ela ficasse sem ar.
– É assim que se mostra para um cara que a garota é sua. – Jessie bateu no meu braço.
– Obrigado pela dica. – pisquei.
– Vamos para casa agora? Scar perguntou a Scott.
– Sim vocês estão liberados.
– Você se importa de deixar Jessie na casa dela? – perguntei e ele negou.
– Eu ligo para você depois. – Scar abraçou a amiga – E se precisar fugir das brigas dos seus pais é só me ligar, sempre tem um lugar para você lá em casa.
– Eu te aviso sim. Agora vão, Denny está com cara de que vai te agarrar antes mesmo de chegarem no carro. – ela nos empurrou para a saída.
– Você vai? – Scar perguntou quando estávamos quase no estacionamento.
– O que?
– Me agarrar antes de chegarmos no carro? – ela estava me provocando. Eu a prendi contra a parede e a beijei com todo o tesão que eu estava desde nosso beijo minutos atrás – Vamos para casa… correndo.
Ela riu e começou a correr para o estacionamento.

oOo

Scar não esperou que chegássemos em casa, ela começou a me beijar e tentar tirar minha blusa quando ainda estávamos no elevador. Eu a levantei no colo e caminhei às cegas até a porta do apartamento, demorei mais que o normal para destrancar a porta e entrar.
Dentro do apartamento eu a ajudei a tirar minha camisa e me livrei da jaqueta e da blusa que ela usava. Chutei minhas botas enquanto ela tirava o tênis, minha calça foi descartada no mesmo momento que o short dela voou para o chão e junto foi toda a roupa que nos atrapalhava. E o caminho mais rápido que encontramos foi o sofá da sala.
– É bom não ter que se preocupar em chegar no quarto. – Scar riu se sentando no meu colo.
– Uma das melhores coisas desse apartamento. – eu beijei seu pescoço – Sabe qual a outra melhor coisa? – ela balançou a cabeça – As molas desse sofá são super resistentes.
Ela riu e nós nos deixamos levar pela liberdade que agora tínhamos de estar num lugar só nosso.

– Estou morrendo de fome. – Scar falou quando já estávamos a um tempo deitados no tapete da sala.
– Eu também. – fiquei de pé – Vou ver o que encontro para nós.
– Eu voto em pedir pizza.
– Vai demorar chegar – falei da cozinha – Aqui tem lasanha congelada.
– Não, comemos lasanha ontem. – ela reclamou agora escorada no balcão completamente nua.
– Eu tomo comer você. – brinquei e ela colocou língua para mim – Tem salada.
– Eu lá tenho cara de coelho pra comer salada? – eu ri – Quero algo que vá matar minha fome de comida, para que eu possa te levar para o quarto e matar minha fome de você.
– Okay, ovos. – tirei uma bandeja de ovos da geladeira. – Vou fazer omeletes para você.
– Perfeito. Tem suco? – ela saiu de onde estava foi até a geladeira e tirou uma jarra de suco de laranja de lá.
– Vou ser rápido. – falei enquanto quebrava os ovos numa vasilha e os batia – quer que eu coloque algo no omelete?
– Tomate e orégano. – ela pegou o tomate na geladeira e eu tirei o orégano do armário.
Ficamos em silêncio enquanto eu preparava a comida.
– Sente-se – pedi quando já estava tudo pronto – ela se sentou na mesa e eu ocupei a cadeira da frente, coloquei um prato na frente dela e comecei a comer o meu.
– Hmmm você está aprendendo a cozinhar. – ela falou de boca cheia.
– Tenho que mimar minha namorada comilona. – ela cerrou os olhos para mim – Eu já te disse que amo você ser comilona?
– Já, todas as vezes que estamos comendo. – ela riu – E eu já disse que você vai ter que me amar mesmo quando eu estiver do tamanho de um elefante.
– Pode ter certeza que te amarei.
– Você não vai me aguentar em cima de você. – ela brincou – E vamos ter que comprar um colchão mais resistente.
– Dormiremos no chão.
– Você não vai conseguir me carregar no colo quando nos casarmos.
– Eu vou começar a frequentar mais a academia.
– Hey, essa é uma boa ideia – ela deixou o prato de lado – Eu deveria começar a malhar.
– O prédio tem uma academia.
– Ótimo, amanhã eu vou começar. Acho que precisarei de um personal trainer.
– Estou às suas ordens.
– Você não é um profissional, baby.
– Mas não vou deixar um cara te olhando enquanto você usa aquelas roupas coladas e sexies.
– Então contrataremos uma mulher. – ela sorriu – Assim você não fica com ciúmes.
– É uma boa ideia.
– Eu sempre tenho ótimas ideias. – ela sorriu sapeca – Quer ouvir uma outra ótima ideia?
– Com certeza.
– Você e eu na nossa cama… tão colados que nem saberemos onde eu começo e você termina.
– Ideia de gênio, minha menina. – eu empurrei minha cadeira para trás e a levei no colo até nosso quarto.

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Acordei com meu celular tocando, tirei o braço debaixo de Scar com cuidado para não acordá-la e alcancei o aparelho. Eu não reconheci o número, mas atendi assim mesmo.
– Alô. – falei tentando me focar no presente e afugentar a nuvem de sono.
– Denny… é Jimmy. Holly está aqui novamente. – eu despertei completamente ao ouvir o nome da minha mãe.
– Holly não é mais um problema meu, Jim. – Jimmy tinha já o costume de me ligar sempre que Holly estava passando do limite, e eu sempre acabava indo buscá-la.
– Eu entendo, mas cara, ela está causando uma confusão atrás da outra e se você não pode vir, terei que chamar a polícia… quis te ligar primeiro porque isso pode ser ruim para a sua imagem.
Merda, ele tinha razão. Um escândalo com Holly ia ser matéria de capa para várias revistas de fofoca e Scott ia cair matando em cima de mim.
– Não ligue para a polícia, eu vou ai buscá-la.
– Okay. Não demore.
Desliguei a ligação sentindo a raiva crescer em mim.
– O que foi, baby? – Scar se sentou – Você está sério.
– Holly está causando problemas, eu vou ter que ir buscá-la num bar. – suspirei – Mas é a ultima vez, vou interná-la novamente.
– Mas você disse que ela tentou se matar antes…
– Eu não estou importando mais. Cansei Scar… se eu não der um basta agora, vai ser sempre assim. E eu acho que ela faz isso propositalmente, porque ela nunca fez uma dessas quando eu estou fora? Ela está fazendo essa cena agora porque eu sai de casa, porque eu estou feliz e bem com você. O que ela está fazendo, se afogando na bebida é uma forma dela estar se matando todo dia um pouco.
Busquei o numero de Chris na agenda do telefone e liguei para ele.
– Denny? Algum problema?
– Só o de sempre – falei – Holly. Desculpa te acordar, cara, mas eu preciso que você ligue para aquele seu amigo e consiga que ele receba Holly na clínica ainda hoje. Eu pago o que for preciso.
– O que ela fez dessa vez?
– Confusão no Jimmy.
– Ah caralho… ela acabou com o bar dele na última vez.
– Sim, eu não sei porque aquele imbecil ainda a recebe lá. Você pode fazer isso por mim?
– Claro, vou ligar para ele e te retorno. – ele desligou e eu me virei para Scar.
– Eu vou ter que sair, não vou demorar muito.
– Okay – ela me deu um selinho – Mas você me liga quando estiver com Holly?
– Ligo sim, vou te manter informada. – me levantei e fui atrás de uma roupa no closet. Estava terminando de me vestir quando Chris ligou avisando que o amigo dele estaria me esperando na clinica com os mesmos funcionários da última vez.
Liguei para meu pai, não que Holly fosse algo que interessasse a ele, mas eu sentia que ele tinha que saber que agora eu estava desistindo de vez, Holly não seria mais uma preocupação minha. Eu não sabia se isso me qualificava como um péssimo filho, um péssimo ser humano, mas eu precisava me desligar dessa parte da minha vida que só me fazia mal. Era hora de começar a viver minha vida com Scar.
– Eu estarei de volta logo. – me debrucei na cama para dar um beijo em Scar e sai.

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O bar estava pouco movimentado, apenas alguns motoqueiros estavam ali e uns dois grupos de caras já prontos para cair na cama.
Eu encontrei Holly debruçada sobre uma mesa no fundo do bar. Fiz uma pausa no balcão para falar com Jimmy antes de seguir até ela.
– Eu estou internando ela numa clinica de reabilitação hoje. Se ela aparecer aqui de novo, não me ligue, a partir de hoje isso não é mais problema meu, chame a policia se quiser, mas não me chame. – dei as costas para ele e fui até Holly – Vamos. – eu a puxei pelo braço e enlacei sua cintura.
– Oi filhinho. – ela riu batendo a mão no meu rosto – Você voltou, vamos comemorar e você paga.
– Não há porra nenhuma a ser comemorada Holly. – resmunguei a arrastei até o carro.
Deixei-a de qualquer jeito no banco do passageiro e dei a volta. Abotoei o cinto de segurança dela antes de colocar o meu e dar partida.
Eu estava com tanta raiva, tanta raiva que podia explodir algo agora mesmo. Eu queria sacudir Holly, fazê-la acordar para a vida e sair da porra do mundo embriagado onde ela vivia.
– Você está voltando para casa, certo?
– Não. – fiz uma curva à direita e entrei na highway. A clinica ficava fora da cidade, em uma espécie de casa de campo. Tão longe de bares quanto era possível – Eu não vou voltar para a sua casa Holly. Já te avisei, minha tentativas com você acabaram, vou fazer o que eu devia ter feito a muito tempo, estou desistindo de você. Desistindo de ter alguma relação com a mulher que me trouxe ao mundo. Eu quis Holly, quis muito que você fosse a minha mãe, mas você chutou pra longe todas as minhas tentativas de fazer isso acontecer!
– Por que Mara é uma mãe melhor que eu. – ela resmungou.
– Não, porque você não quer ser minha mãe. Mara não tem nada a ver com isso, ela nunca quis me tomar de você. Ela me deixou livre para afundar a minha juventude na tentativa frustrada de te transformar em alguém digno de ir à reunião de pais da escola, de fazer um jantar de Ação de Graças, de estar presente na manhã de Natal, de conhecer os meus filhos. E eu tentei de tudo Holly, mesmo quando todos me mandavam desistir de você, eu estava lá, indo de buscar quando você desmaiava de tão bêbada, te colocando na cama, te dando banho, colocando comida em casa, cuidando de você. Mas você nunca esteve lá para mim. Você nunca foi a minha mãe. E eu cansei disso, por isso estou te levando de volta para a clínica de reabilitação. É a sua última chance, mãe. A ultima chance que vou te dar de participar da minha vida, ou você agarra ela agora, ou eu vou morrer para você.
– Eu não quero ir para clínica nenhuma. – ela gritou – Pare esse carro.
– Não posso, estou a 120 km/h numa highway, não dá para parar. E mesmo que desse, eu não vou parar, vou te colocar naquela clínica, e vou fazer isso para estar tranquilo com a minha mente. Tranquilo de que eu te dei uma ultima oportunidade.
– Eu não vou! – ela gritou e antes que eu pudesse prever, puxou o freio de mão do carro.
O que se seguiu estava como em câmera lenta. O carro deu um cavalo de pau, e mais dois e três antes de se inclinar em duas rodas e capotar, contei quatro vezes antes de apagar com o rosto de Scar piscando em minha mente antes de tudo ficar escuro.


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